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Recheios

Na semana passada a Lúcia estava atrasada e pediu para eu fazer um sanduíche para ela comer na viagem. Antecipando as saudades, deixei duas fatias de pão integral esquentando no forninho elétrico, com queijo branco e orégano fresco numa delas. Enquanto isto, piquei azeitonas pretas e separei algumas folhas de espinafre refogadas que estavam na geladeira. Dois minutos depois, tirei os pães do forno, coloquei o espinafre e as azeitonas em cima do queijo, soltei um fio de azeite por cima disto e mais umas fatias de peito de peru.

Coloquei o sanduíche numa sacolinha térmica, com uma latinha para tomar junto. Fiquei olhando para aquilo e tudo parecia tão bom que acabei preparando um para mim também.

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Há mais de um ano, precisei consertar uma gaveta, que ficava perdendo o fundo a toda hora. Pensei primeiro em usar pregos, mas vi que ia acabar lascando as paredes da gaveta, por mais finas que fossem as tachinhas.

Então usei a furadeira, com uma broca para madeira bem pequena, daí enfiei uns palitos de fósforo com cola de madeira e fiz um “sanduíche” com uma outra ripa. Nunca descolou e nunca mais perdeu o fundo.

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Para fazer um bom sashimi é preciso primeiro trinchar o atum. Quem está acostumado a fazer somente peixes assados sempre erra, pois sua primeira idéia é partir o bicho ao meio. É que este sujeito está pensando nas duas metades que ele precisa para fazer um “sanduíche” com a farofa ou as ervas no meio. É geralmente o melhor caminho para o assado, mas acaba com uma das graças do sashimi, que é ver as diferenças de corte do animal.

Na culinária oriental, o peixe de até uns 4 quilos é cortado em três pedaços grandes (fora a cabeça e as barbatanas). O pedaço ímpar se consegue fazendo dois cortes em V nas “costas” do peixe, cujo vértice é a coluna vertebral. Os dois pedaços iguais que sobram são os filés.

O pedaço de cima é mais escuro e seu gosto é diferente dos outros, que são mais delicados um pouco. Mas o atum inteiro é delicado, claro, e é o melhor peixe para se comer sashimi ou sushi, muito superior ao salmão, por exemplo.

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Por falar em sanduíche, quem pesca ou faz um piquenique no entorno da lagoa da Nova Ourinhos ainda não consegue ser civilizado. Ali ainda não tem NENHUMA lata de lixo, seis semanas após ter começado a ligar para a SAE perguntando porque as retiraram.

Publicado no Diário de Ourinhos, em 2004.