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Clooney e a Veja

Acabei de assistir um filme enormemente significativo, “Boa noite e boa sorte”, do George Clooney. O sujeito manda muuito. Lá em Hollywood tem gente da pior qualidade, como o Jerry Buckheimer, mas também tem vários atores e produtores antenados, como o Leonardo Di Caprio, a Susan Sarandon e o marido, o Jonny Dep e o próprio Clooney.

O filme trata, entre outras coisas, da liberdade de informação e de manifestação de pensamento. São direitos constitucionais importantíssimos para a democracia, a maioria dos que estudam o assunto mede o quanto um país é democrático pelo quanto sua imprensa é livre.

O direito de manifestação do pensamento é o de dar opinião, de expressar a opinião do articulista. É o que exerço aqui, dando opinião sobre os assuntos e tentando ligá-los à Constituição. Ele é importantíssimo, porque assim a sociedade debate sobre os assuntos. Eu acho isto, o outro acha aquilo, os dois argumentamos e apresentamos as razões pelas quais achamos estar certos. Quem lê pesa e, quem sabe, se anima e escreve novos argumentos de um lado ou de outro, ou reafirma ou muda sua própria opinião. A sociedade toda amadurece sua opinião.

A idéia é que, ouvindo e lendo de tudo, o povo pode decidir mais bem informado e com mais certeza. Daí a importância de ter variedade à sua disposição. Confiar só num lado é perigoso para qualquer país.

O direito de informação é do povo, é o direito do povo ser informado sobre os assuntos. Também ajuda a amadurecer suas opiniões, mas os dois tipos de texto têm de ficar bem separados. Quando a gente lê um jornal tem de saber onde está a notícia (a informação) e onde está o editorial (que é a opinião).

Existem meios de informação bastante corretos, que ouvem e publicam opiniões dos dois lados de uma discussão, além de separar bem o que é expressão de pensamento e o que é fato apurado. Eu sinto um orgulho danado de escrever aqui, por exemplo, pois apesar de discordar quase sempre de mim, o Eloy Junior sempre me vê escrevendo o que me dá na cabeça.

A maneira como a Veja faz a coisa é criminosa. Para mim é um mistério como é que ela tem tanto leitor. Distorce fatos, mistura com opinião, nunca publica o lado contrário, totalmente alheia à ética jornalística. Já era horrível e agora, que os proprietários são estrangeiros, está pior ainda.

A liberdade de opinião no Brasil é real e prova o quanto que nossa democracia caminhou. Nas nossas bancas de jornal tem de tudo, até um veículo estrangeiro desinformando os brasileiros. É claro que é importante inclusive tolerar uma flor como esta, para que o jardim seja variado.

Publicado no Diário de Ourinhos, em 2004.