Apresentação do curso "Direito Constitucional para quem gosta de política"

Como em todo jogo, na política tem dois motivos para chamar alguém de “bom” jogador: a qualidade de atuação e o que se faz com ela. O primeiro critério é o alinhamento de propostas, o segundo é o desempenho tático.

O alinhamento é a principal forma de escolher os políticos, chapas, coligações e partidos favoritos. Torcemos para quem defende coisas parecidas com aquelas nas quais acreditamos, nas pessoas que lutam por objetivos que achamos importantes para a sociedade brasileira. Elas são escaladas para construir caminhos para um futuro melhor para nós todos, como povo.

Mas também queremos que sejam "bons" jogadores, no segundo sentido: os meus favoritos e favoritas são craques. E quem é craque precisa ter algum respeito pelas regras do jogo democrático, precisa honrar a história do campo. No meu caso, a apreciação da política mudou muito depois que aprendi Direito Constitucional, porque aí dava para eu entender melhor o que eles estavam fazendo. Nas outras ciências sociais, como a economia e a sociologia, a gente aprende a “física” da vida política. Não dá para entender Direito Constitucional sem um tanto essas outras coisas, porque falta contexto. É igual a ler o livrinho de regras de qualquer esporte sem entender os limites do corpo humano e o tanto de planejamento, treino e pura vontade de superação requeridos para superar os tais limites.

Saber algum Direito Constitucional permite entender as estratégias do jogo democrático, por isso ele não pode ficar só nas faculdades de Direito. Por isso é importante ensinar Constitucional sem “juridiquês”, sem “economês” e sem “politiquês”, mas com grande senso de realidade e atenção à prática política do cotidiano. Não precisa ser complicado para ser fascinante.